Rosa Luxemburgo

 

SÍMBOLO DE ANTICAPITALISMO E TAMBÉM DA LUTA POR UMA ESQUERDA DEMOCRÁTICA E ALTAMENTE CONECTADA COM AS REVOLTAS COTIDIANAS DA MASSA DE TRABALHADORES E EXCLUÍDOS, ROSA LUXEMBURGO MORREU EM 1919, MAS AINDA INSPIRA REVOLUCIONÁRIOS E ATIVISTAS AO REDOR DO PLANETA. É RECONHECIDA TANTO POR SUA BIOGRAFIA IRRETOCAVELMENTE COMBATIVA QUANTO POR SUA OBRA COMO PENSADORA MARXISTA, TENDO EXERCIDO PAPEL FUNDAMENTAL TAMBÉM NA CONTESTAÇÃO AO MILITARISMO QUE DESAGUARIA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.

Rosa Bebel

Rosa Luxemburgo com Luise Kautsky (m.) e August Bebel, no Congresso da Internacional Socialista, Amsterdam 1904

 

Nascida em 5 de março de 1871 em Zamoṡc, pequena cidade polonesa então ocupada pela Rússia, Rosa foi a quinta filha de uma família judia emancipada e culta. Iniciou sua militância no movimento operário (ilegal) em Varsóvia, onde frequentou o liceu para moças, e antes dos dezoito anos teve de fugir por conta da perseguição política, refugiando-se na Suíça.

Em Zurique, estudou Ciências Naturais, Matemática, Direito e Economia Política, e com 22 anos fundou, com Leo Jogices, Julian Marchlewsk e Adolf Warski, a Social-Democracia do Reino da Polônia (SDKP). Em 1897 defende doutorado sobre desenvolvimento industrial da Polônia e um ano depois muda-se para Berlim, onde passa a militar na socialdemocracia alemã (SPD).

Ganhou projeção neste meio marxista alemão em 1899, com a publicação de um ensaio contra o teórico socialista Eduardo Bernstein, amigo pessoal de Engels e executor do testamento de Marx, intitulado Reforma social ou revolução?. Neste artigo, até hoje bastante conhecido e difundido, Luxemburgo questiona os argumentos de que o capitalismo atingira um desenvolvimento tal que impediria crises e levaria a possibilidades de transformação meramente por iniciativas institucionais e pacíficas.

Durante dez anos, entre 1904 e 1914, Rosa Luxemburgo representou o partido socialdemocrata polonês e lituano, como passou a se chamar a entidade após 1900, no Bureau socialista internacional em Bruxelas. Em 1906 viajou clandestinamente para Varsóvia a fim de colaborar com a revolução russa iniciada um ano antes, e foi detida junto com Jogiches, passando quatro meses na prisão. Em sua volta à Berlim, sua defesa da greve de massas como instrumento contra o capitalismo já ocupava lugar central em suas intervenções políticas e teóricas.

Entre 1907 e 1914 foi professora da escola de quadros do partido socialdemocrata alemão, sendo deste período a elaboração de obras como A acumulação do capital (1913) e Introdução à economia política (1925). Juntamente com outros companheiros de partido, como Clara Zetkin e Karl Liebkbnecht, articula em 1914 o Grupo Internacional em protesto à aprovação de créditos de guerra por parte da socialdemocracia, convertida aos esforços militares e nacionalistas do período. Em 1918 o grupo passaria a se chamar Liga Spartakus, organização que encabeçaria uma tentativa de revolução na Alemanha.

Acusada de agitação antimilitarista, Luxemburgo ficou presa durante um ano entre 1915 e 1916 e por mais alguns meses logo em seguida. Na prisão escreveu A crise da socialdemocracia (1916) e a brochura A revolução russa, na qual se contrapõe a alguns aspectos dos bolcheviques russos dos quais ela discordava. Foi libertada em 8 de novembro de 1918, no início da revolução alemã.

Na virada de 1918 para 1919 participa da fundação do Partido Comunista Alemão (KPD) e em janeiro deste ano é presa junto com Karl Liebknecht no que foi conhecido como a “insurreição de janeiro”. Ambos são assassinados em 15 de janeiro de 1919 por tropas do governo. Rosa Luxemburgo tinha 48 anos.

De acordo com periodização proposta por Isabel Loureiro, uma das principais especialistas latino-americanas no pensamento de Luxemburgo, sua obra teórica pode ser dividida em duas períodos: o primeiro que vai de 1891 a 1914, que tem como fio condutor a criação, o apogeu e o desmoronamento da Segunda Internacional, e um segundo que vai de 1914 a 1919 e que foca-se inicialmente na crítica à Primeira Guerra e depois na análise das revoluções russa e alemã.

Rosa Luxemburgo (1986), de Margarethe von Trotta:

 

 

OBRAS DE ROSA LUXEMBURGO EM PORTUGUÊS E ESPANHOL

  • LUXEMBURG, Rosa. Introducción a la economia política. Córdoba: Pasado y Presente, 1972.
  • –––––. A crise da social-democracia. Lisboa: Presença, 1974.
  • –––––. Huelga de masas, partido y sindicatos. México: Ediciones Pasado y Presente, 1978.
  • Tradução brasileira: Greve de massas, partido e sindicatos. São Paulo: Kairós, 1979.
  • –––––. Debate sobre la huelga de masas. México: Ediciones Pasado y Presente, 1978. (Nesta publicação encontramos os seguintes artigos de Rosa Luxemburg: La causa de la derrota; Y por tercera vez el experimento belga; Y después qué? ).
  • –––––. Camarada e amante. Cartas de Rosa Luxemburg a Leo Jogiches. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
  • –––––. A questão nacional e a autonomia. Belo Horizonte: Oficina de Livros, 1988.
  • –––––. A acumulação do capital. São Paulo: Nova Cultural, 1988.
  • –––––. A revolução russa. Petrópolis: Vozes, 1991 (Nesta obra encontram-se os seguintes artigos com tradução de Isabel Loureiro: Questões de organização da social-democracia russa; A revolução russa; O que quer a Liga Spartakus?).
  • –––––. Reforma, revisionismo e oportunismo. Rio de Janeiro: Laemmert, 1970. (Sob este título encontra-se a primeira tradução brasileira de Reforma social ou revolução? feita por Lívio Xavier, e os seguintes apêndices: Os óculos ingleses; Discurso sobre a tática; Resposta ao discurso de Vollmar; A participação socialista do poder na França; A crise do movimento socialista na França; A greve geral).
  • –––––. Reforma ou revolução? São Paulo: Editora Expressão Popular, 1999 (republicação da tradução de Lívio Xavier).

OBRAS SOBRE ROSA LUXEMBURGO EM PORTUGUÊS

  • ARENDT, Hannah. Rosa Luxemburgo: 1871-1919. In: Homens em tempos sombrios. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.
  • ETTINGER, Elzbieta. Rosa Luxemburgo. Rio de Janeiro: Zahar, 1989.
  • GERAS, Norman. A actualidade de Rosa Luxemburgo. Lisboa: Edições Antídoto, 1978.
  • GUIMARÃES, Juarez (org.). Rosa, a vermelha. Vida e obra da mulher que marcou a história da revolução no século XX. São Paulo: Busca Vida, 1987. (Esta obra contém os seguintes textos de Rosa Luxemburg: O Folheto Junius, A revolução Russa, Contra a pena capital e A ordem reina em Berlim).
  • LOUREIRO, Isabel, VIGEVANI, Tullo. (org.). Rosa Luxemburg – a recusa da alienação. São Paulo: Editora UNESP/FAPESP, 1991.
  • LOUREIRO, Isabel. Rosa Luxemburg e Trotsky: a revolução russa de 1905. In: COGGIOLA, OSVALDO. Trotsky hoje. São Paulo: Editora Ensaio, 1994.
  • LOUREIRO, Isabel. Rosa Luxemburg – os dilemas da ação revolucionária. São Paulo: Editora UNESP, 1995.
  • LOUREIRO, Isabel. Lukács e Rosa Luxemburg. In: ANTUNES, Ricardo, LEÃO RÊGO, Walquíria. Lukács – um Galileu no século XX. São Paulo: Boitempo, 1996.
  • LOUREIRO, Isabel. Rosa Luxemburgo – vida e obra. São Paulo: Expressão Popular, 2000.
  • LÖWY, Michael. Método dialético e teoria política. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975. (Nesta obra há dois ensaios excelentes sobre Rosa Luxemburg: Rosa Luxemburgo; A significação metodológica da palavra de ordem “Socialismo ou Barbárie”).
  • LUKÁCS, Georg. História e consciência de classe. Porto: Escorpião, 1974. (Encontramos nesta obra dois ensaios clássicos sobre Rosa Luxemburg: Rosa Luxemburgo, marxista; Notas críticas sobre a crítica da revolução russa de Rosa Luxemburgo).
  • NASCIMENTO, Cláudio. Rosa Luxemburgo e Solidarnosc. Autonomia operária e autogestão socialista. São Paulo: Loyola, 1988.
  • NEGT, Oskar. Rosa Luxemburgo e a renovação do marxismo. In: HOBSBAWM, E. (org.). História do marxismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984, v.3.
  • PEDROSA, Mario. A crise mundial do imperialismo e Rosa Luxemburgo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
  • SADER, Emir. Rosa Luxemburgo. In: O poder, cadê o poder? – Ensaios para uma nova esquerda. São Paulo: Boitempo, 1997.

 

– Seleção de textos traduzidos no site Marxists.org