Alemanha



A Esquerda pede fronteiras abertas a refugiados

Em votação durante a convenção nacional do partido, maioria dos delegados aprova texto que defende o acolhimento de requerentes de refúgio e rejeita deportações. Questão migratória provocou divisões dentro da sigla

As lideranças Sahra Wagenknecht, Dietmar Bartsch, Katja Kipping e Bernd Riexinger

Por DW Brasil

O partido alemão A Esquerda aprovou neste sábado (09/06) um texto apresentado pelos líderes Katja Kipping e Bernd Riexinger que descreve a política migratória da legenda, defendendo, por exemplo, “fronteiras abertas” a refugiados e rejeitando sua deportação a seus países de origem.

A moção foi aprovada por uma grande maioria em votação durante a convenção nacional do partido neste sábado na cidade de Leipzig, envolvendo os 583 delegados da sigla alemã.

O texto se baseia em três pontos: o fim do conflito no Oriente Médio, incluindo cessar a exportação de armas; a implementação de um programa social que solucione os problemas de moradia e desemprego na Alemanha; e a garantia de rotas de fuga seguras e legais, além de fronteiras abertas às pessoas que buscam proteção.

“Nós rejeitamos as deportações”, afirma o texto da liderança, acrescentando que famílias requerentes de refúgio devem ser reunificadas, ao invés de separadas. Além disso, a sigla defende o fim das mortes de migrantes no Mediterrâneo e nas fronteiras externas da Europa.

As propostas provocaram divisões dentro do partido, envolvendo especialmente um grupo em torno da parlamentar Sahra Wagenknecht, que advertiu que A Esquerda estava se tornando incapaz de agradar a alguns setores de sua tradicional base de apoio. Wagenknecht critica principalmente a política de fronteiras abertas e o acesso ilimitado ao mercado de trabalho alemão.

“Nós somos todos parte da Esquerda”

Em discurso neste sábado, Kipping, líder da legenda e uma das autoras do texto, adotou um tom mais diplomático e afirmou que todos têm o direito de ter suas próprias opiniões sobre diferentes assuntos, aparentemente em referência a Wagenknecht. “Ninguém tem que decidir por um lado, porque nós somos todos parte da Esquerda”, disse.

Ela destacou, no entanto, a importância de se aceitar as políticas do partido uma vez que elas sejam aprovadas pela maioria de seus membros. Segundo Kipping, é uma “questão de respeito por todos os delegados” da legenda.

Entre os críticos, a líder da Esquerda mencionou Oskar Lafontaine, marido de Wagenknecht e um dos fundadores do partido, em 2007, quando deixou o Partido Social-Democrata (SPD). Ele é um dos membros que defendem certas restrições à imigração.

Kipping argumentou, contudo, que A Esquerda está do lado de “pessoas carentes na rota dos refugiados” e em forte “contraste com a direita autoritária”. “Seria irresponsável subestimar esse aceno à direita. Isso fornece um terreno fértil para um novo fascismo”, afirmou.

Líderes reeleitos

Também neste sábado, os membros da Esquerda reelegeram os colíderes Katja Kipping e Bernd Riexinger para mais um mandato de dois anos à frente da legenda.

Kipping, de 40 anos, foi aprovada com 64,4% dos votos, e Riexinger, de 62 anos, conquistou 73,8% de aprovação. Eles comandam o partido desde 2012.

Segundo dados oficiais da sigla, A Esquerda possui atualmente quase 64 mil membros, o que a torna o quinto maior partido político da Alemanha. Nas eleições gerais do ano passado, conquistou 69 dos 709 assentos do Parlamento, após obter 9,2% dos votos.

Foto: Die Linke