SEM ARREPENDIMENTOS



EXCLUSIVO NO BRASIL: A Volks e a ditadura (Süddeutsche Zeitung)

O historiador Christopher Kopper antecipou sua posição em relação à sua investigação: “Posso afirmar que houve colaboração regular entre o departamento de segurança da VW do Brasil e os órgãos policiais do regime”

Por Stefanie Dodt e Boris Herrmann, Süddeutsche Zeitung, Página 3, 24 de julho de 2017

Süddeutsche-Zeitung-Logo.svgA ideia de voltar ao cenário de seus pesadelos até já andava pela cabeça de Lúcio Bellentani havia algum tempo. Mas acabaram se passando algumas décadas até ele criar coragem. Num dia ensolarado de 2017, ele vestiu uma camisa branca e uma calça azul escura, aparou a barba e penteou o cabelo em ondas grisalhas bem-comportadas. Naqueles trajes, Bellentani, 72 anos, poderia até participar de uma solenidade de homenagem à sua trajetória. Mas ele foi revisitar dois locais em que boa parte de sua vida foi destruída: o grande prédio em tijolos no centro de São Paulo, no qual foi torturado, e o terreno da empresa em São Bernardo do Campo, no qual foi detido pouco antes com a participação do seu empregador à época, a Volkswagen do Brasil, como apontam recentes desdobramentos sobre o caso.

Bellentani tem um humor quase inabalável. Ao adentrar o árido corredor do prédio, comenta: “Bem-vindos ao hotel cinco estrelas!”. Mas o sorriso logo cede às lágrimas ao reencontrar a cela número 2, a sua cela. Bellentani voltou para lutar por uma singela palavrinha: Desculpas.

Hoje aquele lugar abriga um memorial. Nos tempos da ditadura ali ficava o DOPS, a polícia política, onde estudantes, sindicalistas e outros livre-pensadores foram presos e interrogados sob tortura – alguns ao longo de vários dias, outro durante muitas semanas. No caso de Lúcio Bellentani foram oito meses.

Tudo isso volta agora. O sentimento de total impotência. A dor. Mas sobretudo as humilhações. Lúcio Bellentani diz: “Existe um momento na tortura em que você já não sente mais nada. É um martírio moral. Você se sente ferido em sua intimidade”.

Nove presos ocupavam aquela cela de 16 metros quadrados. Pela pequena abertura com grades podiam escutar os gritos dos que estavam sendo torturados.

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Lúcio Bellentani (Foto: Verena Glass)

História mal contada

A saga do ex-ferramenteiro Bellentani é a história ainda mal-processada de uma colaboração. Trata do enredamento da maior montadora alemã com os malfeitos da ditadura militar brasileira entre 1964 e 1985. Um processo investigativo do Ministério Público Federal em curso em São Paulo contra a filial brasileira da VW se apoia, entre outros, no depoimento de Bellentani. As emissoras alemãs NDR (Norddeutscher Rundfunk) e SWR (Südwestfunk) e o diário Süddeutsche Zeitung tiveram acesso aos autos do inquérito, bem como a documentos internos da Volkswagen daquela época – relatórios do conselho de administração, do Ministério alemão das Relações Exteriores e a documentos até agora sigilosos do DOPS da época da ditadura. O conjunto de provas revela que a Volkswagen não só colaborava com o regime militar, como era um ator autônomo da repressão. Um bom cúmplice.

Como aponta a documentação do caso, parte do departamento de segurança interna da fábrica em São Bernardo do Campo se transformou gradativamente em serviço secreto com o objetivo de espionar os próprios trabalhadores. Confeccionavam-se listas negras com os nomes de funcionários simpatizantes da esquerda e se cultivava uma estreita troca de informações com o aparato repressivo. De acordo com as investigações, há indícios de que a segurança interna da fábrica, também participou nas detenções de trabalhadores da VW, entregando-os à polícia política – e, assim, à tortura. Foi o caso de Lúcio Bellentani. 

O seu crime consistiu na realização de trabalho sindical na área da fábrica, distribuir panfletos para o Partido comunista, e organizar rodas de conversa, esse tipo de coisas.

Bellentani começou a trabalhar como ferramenteiro na Volkswagen em setembro de 1964, meio ano depois do golpe que colocou os generais no poder no Brasil. Ele tinha 19 anos, ficou feliz com o primeiro salário, mas também sonhava com um mundo mais justo. Logo conheceu ativistas do Partido Comunista do Brasil, com o qual seus pais já simpatizavam. Eles tinham sido presos em 1944, no governo do presidente Getúlio Vargas, que odiava comunistas. “Minha primeira prisão foi na barriga da minha mãe, como feto de sete meses”, diz Bellentani, rindo.

A colaboração da empresa com a tortura

Ao voltar à prisão, tinha 27 anos. Foi em julho de 1972. Bellentani estava no turno da noite fazendo manutenção em um equipamento da prensa da ala 4 da fábrica, quando sentiu algo duro nas costas. Era uma metralhadora. Segundo ele, dois homens do DOPS o algemaram sob os olhos de três seguranças da VW. Um deles, o chefe da segurança, estava armado. Bellentani diz que os funcionários da empresa também estavam presentes quando ele foi interrogado, espancado e chutado na sala do Departamento de Pessoal. Mandaram que ele dissesse os nomes de outros sindicalistas e de ativistas do partido. Bellentani ficou em silêncio. Por isso, foi levado para o DOPS, cela 2.

Oito dias depois, o diretor da polícia política informou à Secretaria de Segurança Pública por escrito que a Volkswagen teria “promovido uma colaboração entre este diretório e elementos da segurança da fábrica “. O documento também revela que essa cooperação tratava de investigações de supostos comunistas na empresa. Ao longo do tempo, Bellentani encontrou velhos conhecidos na sua cela, colegas de trabalho da Volkswagen. Ele não lembra o número exato, talvez oito, nove ou dez pessoas. Toda vez que o buscavam para o interrogatório tocava um sino que parecia uma cigarra. O som anunciava a próxima tortura.

O pior, diz Bellentani, não foram as dores, mas sim a incerteza. Ninguém dizia quanto tempo duraria aquele horror. Durante 47 dias ele não teve contato algum com seus familiares. Começa a chorar ao falar do 48º dia, quando recebeu a visita da família pela primeira vez. A mãe levou uma Bíblia para ele. A mulher levou a filha de quatro anos e o filho de três. A outra filha tinha apenas três meses. Seu aspecto devia estar horrível, e não só por causa dos ferimentos decorrentes da tortura. Emagrecera 30 quilos em 47 dias. Seu corpo rejeitava qualquer tipo de alimento sólido. Até hoje não esquece a expressão do rosto do filho no hall dos visitantes. Um garoto pequeno tentando perguntar: pai, o que está acontecendo aqui?

O que acontecia parecia, à distância, uma versão tropical do milagre econômico alemão. Em 1959, os primeiros fuscas inteiramente fabricados no Brasil saíam pela primeira vez da linha de montagem. Os brasileiros aprenderam a amar o fusca que, na primeira década da ditadura militar, chegou a ser o produto industrial mais popular do país. A VW do Brasil crescia absurdamente naquela época. Em 1964 eram produzidos 180 automóveis por dia em São Bernardo do Campo. Em 1971, já eram 810. Cada segundo carro montado no Brasil naquele ano era da Volks. O lado negro deste milagre, como se sabe hoje, foi uma cumplicidade muito bem coordenada. A Volkswagen e os militares parecem ter combinado muito bem desde o início.

Num documentário da TV pública alemã NDR/SWR, emitido por primera vez em 24 de julho de 2017, a história oculta: espionagem interna, delação de operários aos órgãos repressivos, prisões dentro da fábrica. Assista aqui, com legendas em português

“Tudo bem por aqui”

No dia 1º de abril de 1964, um dia depois do golpe, o diretor da empresano Brasil, Friedrich Wilhelm Schultz-Wenk, telegrafou para o então presidente da companhia em Wolfsburg, cidade-sede da Volks na Alemanha, Heinrich Nordhoff: “Tudo bem por aqui. Trabalhando a todo vapor.” Mas rapidamente ambos parecem ter compreendido que nem tudo estava tão bem assim naquela ditadura. No dia 16 de abril, um novo telegrama de Schultz-Wenk para Nordhoff: “Aqui ocorre uma caça que nem nós na Alemanha vivenciamos em 1933. Questiona-se se isso está certo, pois sabidamente toda pressão resulta em contra-pressão”.

Documentos da polícia política revelam que a filial brasileira da Volkswagen não apenas tolerava em silêncio a caça aos críticos ao regime, aos sindicalistas e comunistas, como participava ativamente das perseguições. Os dossiês do DOPS contêm pilhas de papeis como protocolos internos da empresa que o setor de segurança fazia sobre funcionários críticos. Os relatórios também contêm fotografias de trabalhadores. Algumas foram tiradas na área da fábrica, outros fora de seus limites. “Informações disponibilizadas pelo setor de segurança da VW”, diz a capa.

De acordo com os documentos, a sede da Volkswagen avaliava como fator positivo o fato de que, com a tomada do poder pelos generais, finalmente haveria ordem no Brasil. Em novembro de 1964, o presidente da empresa, Nordhoff, anunciou no jornal O Globo que a produção seria duplicada. E deu a sua impressão sobre a situação política: “Na minha opinião, chegou o momento de realizar os planos que estamos preparando há longa data. E estou convencido de que este não será o último passo rumo ao progresso deste grande país”.

Os responsáveis

Um dos executivos que catapultaram a VW do Brasil ao sucesso foi Carl Hahn. Hoje, aos 91 anos, continua indo regularmente ao escritório central da empresa em Wolfsburg. Atrás de sua mesa de trabalho há recordações emolduradas de sua época na direção da companhia: Hahn com o Papa João Paulo II, Hahn com Gorbachev. A partir de 1982, foi presidente do conselho de administração da Volkswagen AG durante onze longos anos. Integrou a diretoria da empresa de 1964 a 1972, fazendo parte do conselho de administração da filial brasileira. Chamava a fábrica da VW em São Bernardo do Campo de “modelar”.

A descrição de Hahn dos anos 1960 e 1970 evocam ajuda ao desenvolvimento a uma República de bananas. Diz ele: “As condições de trabalho que oferecíamos faziam as pessoas fazer fila. Você precisa imaginar de onde as pessoas vinham. Do mato.”

Lúcio Bellentani não vinha do mato, e sim do estado economicamente mais forte do páis, São Paulo. E o que ele experimentou na suposta fábrica exemplar da VW foram principalmente as reações alérgicas contra qualquer forma de trabalho sindical. “A firma abria as portas para que os algozes dos militares pudessem no deter no local de trabalho”.

Carl Hahn alega que não percebeu nada disso. Diz que o golpe de 1964 não atrapalhou a sua vida. Ou, em suas palavras: “Não lembro de ter vertido lágrimas pela partida da democracia”. A Volkswagen teria tido interesses conjuntos com a ditadura militar? “Naturalmente que sim”, diz Hahn, “todo mundo estava interessado em fazer o país progredir. Tentamos montar automóveis, independentemente do governo no poder. Isso, deixamos para os nativos”.

Omissão e cumplicidade

Às vezes, a tortura durava o dia inteiro. Amarravam os pés e as mãos de Bellentani e o penduravam num pau de arara. Apagavam cigarros em sua pele. Enchiam-no de água para tornar os eletrochoques mais eficazes, introduziram fios elétricos nos ouvidos e na uretra. Cada sessão durava até quatro horas e meia. Chegaram a arrancar três dentes seus com alicate.

Carl Hahn sustenta que jamais conheceu nenhum militar no Brasil. Parece uma variação da frase tenebrosa de Berti Vogts, capitão do time alemão durante a Copa do Mundo de 1978 na Argentina, então em plena ditadura. “Não vi um único preso político”, disse Vogts à época. A diferença é que Berti era um jogador de futebol e Hahn estava no conselho de administração da VW do Brasil. Documentos internos da companhia dão conta de que a sede estava informada ja em 1979 sobre os enredamentos da filial com a ditadura militar. Na época, funcionários brasileiros da VW viajaram até Wolfsburg a fim de confrontar o presidente da empresa, Toni Schmücker, com acusações. Pouco depois, a questão veio à tona durante uma assembleia da empresa. Jörg Steffen, integrante do conselho de trabalhadores jovens, relatou sobre a situação na fábrica brasileira: “Quem se envolver ativamente em prol de seus colegas de trabalho enquanto sindicalista passará por um inferno”, pois a polícia militar acionada “para surrar e deter nossos colegas”.

O governo da Alemanha em Bonn pelo jeito tampouco ignorava os fatos. Em 1976, uma deputada exigiu que o Ministério das Relações Exteriores se posicionasse sobre supostas detenções em massa na VW do Brasil. A reação do consulado geral de São Paulo: “Não houve uma única detenção na empresa (…) Dispensamos mais perguntas.”

O papel da embaixada

Em viagem oficial para o Brasil em 1979, o então chanceler Helmut Schmidt foi informado sobre as condições na fábrica através do então sindicalista e futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula contou para Schmidt que a direção tentava “disciplinar os trabalhadores quase como o quartel”. Foi o que a embaixada alemã de Brasília comunicou em 18/4/1979 ao ministério das Relações Exteriores em Bonn. Durante a viagem, Schmidt externara publicamente a sua preocupação de que a fábrica da Volkswagen pudesse se tornar “um símbolo negativo para o Terceiro Mundo”. Pelo jeito, o chanceler não avaliou as consequências.

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Helmut Schmidt, o assessor especial Marco Aurélio Garcia (R.I.P.) e Lula em 2009. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Para a sede da empresa em Wolfsburg, constata Hahn, só importava uma coisa: os números do balanço. E eles estavam corretos, sem dúvida. “Éramos tão poderosos que nem precisávamos olhar direito para o balanço, pelo fato de sermos a montadora líder no Brasil”, diz ele. Uma participação da VW em violações de direitos humanos estava além de qualquer imaginação. Hahn não fala pela direção atual, mas ele foi um dos principais votos decisivos. E suas afirmações deixam entrever uma lógica: nem precisava abafar tanta coisa em silêncio, porque não existia ainda a consciência do problema. Para o antigo presidente da empresa, as pessoas que ainda hoje fuçam no passado teuto-brasileiro são “überdemocratas”.

Mas será exagero democrático quando uma vítima de tortura, como Lúcio Bellentani, anseia por falar deste passado? Bellentani garante que o que importa, para ele, não é a compensação financeira. Ele quer que a VW finalmente diga: “Escuta, erramos!“

Isso seria tão difícil? Parece que sim.

A dificuldade de reconhecer a culpa

Naquele verão de 2017 Bellentani voltou ao lugar onde começou a sua via crúcis, a fábrica da Volks do Brasil. A visita fora autorizada oficialmente e Bellentani acreditava que poderia ter chegado o dia em que a empresa finalmente iria ao seu encontro, ouvindo-o e talvez até mesmo se desculpando. A ideia lhe dava força. Ao entrar, ele assobiou a Internacional Socialista. No final do dia, disse: “Eu me sinto um idiota aqui”.

Na fábrica ele percorreu os cem metros do corredor externo – de um lado para o outro. Os galpões são tabu.. No total, nove seguranças e porta-vozes, um deles vindo especialmente de Wolfsburg, esgueiravam-se atrás dele. Evitavam os seus olhares. “O que temem?”, pergunta Bellentani. Duas horas depois ele deixou o lugar sem que qualquer representante da VW lhe tivesse dado a mão.

Agora, Bellentani espera pelo resultado do inquérito contra a empresa, baseado em uma ação coletiva de ex-funcionários. O Ministerio Público Federal em São Paulo contratou um especialista para isso, o renomado criminalista Guaracy Mingardi. Tudo o que ele descobriu até hoje confirma os depoimentos de Bellentani. Mingardi classifica a segurança interna da VW como “braço estendido da polícia política”.

VW do Brasil – Komplize der Militärdiktatur?

A sede da Volkswagen AG em Wolfsburg ainda não quer se pronunciar sobre as acusações. Um porta-voz da empresa informou que o tema está sendo “levado a sério” e será “cuidadosamente analisado”.

“Houve colaboração”

Em novembro de 2016, a empresa encomendou uma avaliação independente ao historiador Christopher Kopper, da universidade de Bielefeld. Até o final do ano ele terá concluído o seu relatório. “Isso nos dará uma base de como lidaremos com a questão no futuro”, diz a Volkswagen.

O primeiro encontro entre Bellentani e Kopper em março de 2017 em São Paulo terminou depois de três minutos com bater de portas. “A minha impressão é que se tratava de descobrir o que a empresa precisa fazer para nos calar”, reforçou Bellentani. Foi quando ele prometeu mais uma vez não dar trégua.

Quem sabe, o relatório de Kopper venha a lhe ser útil. O historiador antecipou sua posição em relação à investigação aos repórteres das emissoras NDR e SWR e do jornal Süddeutsche Zeitung: “Posso afirmar que houve colaboração regular entre o departamento de segurança da VW do Brasil e os órgãos policiais do regime.” Kopper também atribui responsabilidades à Volkswagen quando se trata das detenções na área da fábrica: “A empresa permitiu as prisões”.

Quando Lúcio Bellentani foi libertado depois de dois anos de prisão, sua filha mais nova estranhou aquele homem que de repente chegou à sua casa. Demorou até que o aceitasse como pai. “Eles roubaram os meus melhores anos de vida”, diz Bellentani.

É bem verdade que a Volkswagen lhe restituiu todos os salários, inclusive as férias. “Saí dos porões da tortura com a carteira cheia”. Com o dinheiro, Bellentani comprou seu primeiro carro.

Era um fusca amarelo.

Bellentani diz: “Era o que havia para comprar na época.”

Tradução: Kristina Michahelles, para a Fundação Rosa Luxemburgo

Copyright: Süddeutsche Zeitung. Forma de citar esta reportagem:

Sem arrependimentos – A Volks e a ditadura

O historiador Christopher Kopper antecipou sua posição em relação à sua investigação: “Posso afirmar que houve colaboração regular entre o departamento de segurança da VW do Brasil e os órgãos policiais do regime”

Por Stefanie Dodt e Boris Herrmann, Süddeutsche Zeitung

bellentani_slider-150x150A ideia de voltar ao cenário de seus pesadelos até já andava pela cabeça de Lúcio Bellentani havia algum tempo. Mas acabaram se passando algumas décadas até ele criar coragem. Num dia ensolarado de 2017, ele vestiu uma camisa branca e uma calça azul escura, aparou a barba e penteou o cabelo em ondas grisalhas bem-comportadas. Naqueles trajes, Bellentani, 72 anos, poderia até participar de uma solenidade de homenagem à sua trajetória. Mas ele foi revisitar dois locais em que boa parte de sua vida foi destruída: o grande prédio em tijolos no centro de São Paulo, no qual foi torturado, e o terreno da empresa em São Bernardo do Campo, no qual foi detido pouco antes com a participação do seu empregador à época, a Volkswagen do Brasil, como apontam recentes desdobramentos sobre o caso.

Bellentani tem um humor quase inabalável. Ao adentrar o árido corredor do prédio, comenta: “Bem-vindos ao hotel cinco estrelas!”. Mas o sorriso logo cede às lágrimas ao reencontrar a cela número 2, a sua cela. Bellentani voltou para lutar por uma singela palavrinha: Desculpas. Leia mais…

Tradução: Kristina Michahelles/Fundação Rosa Luxemburgo