SOCIALISTAS E ANARQUISTAS

Nossas estrelas vermelhas e negras

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Lançamento de livro de Michael Löwy sobre alianças entre marxistas e libertários, organizado por Editora Unesp e Fundação Rosa Luxemburgo, reúne mais de cem pessoas em São Paulo  

Por Pluricom

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Plateia lotada, ansiosa por ouvir as palavras do brasileiro radicado na França Michael Löwy, diretor emérito do Centre National de la Recherche Scientifique, na França, e pesquisador da história do marxismo na América Latina, autor do livro Afinidades revolucionárias: nossas estrelas vermelhas e negras: por uma solidariedade entre marxistas e libertários, em parceria com Olivier Besancenot.

A obra foi lançada na noite desta segunda-feira, 24 de outubro, na sede da Editora Unesp, em um debate que contou com a participação de Isabel Loureiro, Francisco Foot Hardman e Fábio Mascaro Querido. Na ocasião, Löwy indicou os principais pontos abordados na obra, como a proposta de diálogo entre marxistas e anarquistas. Lembrou o momento histórico de enfrentamento dos integralistas ocorrido na Praça da Sé, em 1934, por iniciativa do Mario Pedrosa, que reuniu socialistas, sindicalistas, antifascistas e exilados sob a Frente Única Antifascista e expulsaram os integralistas, no episódio que ficou conhecido como “a revoada dos Galinhas Verdes”. “Desconfio até que este terraço da Editora Unesp tenha sido ocupado pela Frente Única”, brincou. Para ele, as mesmas questões teóricas do passado ainda estão em pauta na atualidade, particularmente “quando vemos mais de 100 mil pessoas, das mais diversas tendências, na Avenida Paulista, clamando contra um golpe parlamentar que levou à Presidência um sujeito de que ‘esqueci’ o nome”.

Desafios da esquerda – Para o professor de estudos literários na Unicamp e pesquisador dos movimentos culturais e políticos da classe operária, em especial em suas vertentes libertárias e socialistas, Francisco Foot Hardman, o grande mérito da obra não é apenas a discussão política internacional, mas a sua pertinência para esse momento histórico brasileiro, evidenciando não apenas a possibilidade de diálogo, mas sobretudo de estratégia de ação política. “Quando se tem uma ação conjunta e coordenada, maior é o poder de resistência.” Ele lembrou que “o golpe militar – e todos os golpes – são bem-sucedidos pois a direita se unifica rapidamente, com eficiência e eficácia. O desafio das esquerdas é superar a dispersão e a fragmentação”.

Trajetória de Löwy – Fabio Mascaro Querido apresentou a trajetória política e intelectual de Löwy, que ele analisou em  sua tese de doutorado, publicado no livro Michael Löwy: marxismo e crítica da modernidade (São Paulo: Boitempo/Fapesp, 2016). Nascido no Brasil em 1938, onde fez Ciências Sociais na USP, e desde então já era militante socialista trotskista, mas também, um entusiasta do surrealismo, o que lhe dava uma certa dimensão libertária. Ao longo desse percurso, há um trajeto que caminha ao encontro dessa proposta de um marxismo libertário, que ele mesmo afirma ser um canteiro de obras a ser construído e não como uma resposta acabada.

Para os jovens que querem se politizar – Já para Isabel Loureiro, professora aposentada da Unesp e ex-presidente e atual colaboradora da Fundação Rosa Luxemburgo, o livro Afinidades revolucionárias é “uma ótima introdução para a juventude que está querendo se politizar e procura uma bibliografia agradável”. Segundo ela, a esquerda está enfraquecida e desarmada. “Nossos governos progressistas fragilizaram os movimentos sociais e a tomada do poder pela via eleitoral é um impasse. Portanto, o livro apresenta um caminho, uma proposta a ser pensada como alternativa para a democracia – este conceito eternamente em construção”.

Assista aos depoimentos de cada um.

Foto: Jorge Pereira Filho

 

 

 

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