Copa de mundo



Lançamento do livro: Resistências no País do Futebol

“O Brasil é uma caixinha de surpresas”

Quinta, 3/7, no Rio: novo lançamento, debate sobre a Copa e a inauguração da exposição “Baía de Sepetiba e Santa Cruz: em busca de um futuro legal”

 

Grandes protestos, confrontos, medo até que algum jogo tivesse que ser cancelado: antes do início da Copa, muitas expectativas, temores e projeções. Mas quando a Copa começou, as grandes manifestações que ocorreram um ano antes não se repetiram na mesma medida, os jogos seguem seu curso tranquilamente e no ar fica a pergunta: como ficaram os anseios do povo brasileiro? O que significaram as manifestações locais, menores, que ocorreram pouco antes e durante a Copa? E o que será depois do fim do evento?

Em parceria com o Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio, um dos protagonistas das mobilizações sociais do país, a Fundação Rosa Luxemburgo e o jornal alemão die tageszeitung – mais conhecido como taz – querem debater estas questões e fazer um balanço parcial do evento. Nesta quinta-feira, 3 de julho, às 18h, ocorrerá, no Centro de Teatro do Oprimido, Av. Mem de Sá, 31, na Lapa/Rio de Janeiro, o novo lançamento do livro “Resistências no País do Futebol – A Copa em contexto”, com a participação da socióloga Sandra Quintela, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, do organizador da publicação Gerhard Dilger e dos jornalistas Andreas Behn e Martin Kaul, do taz.

Haverá transmissão on-line, e depois, a inauguração da exposição “Baía de Sepetiba e Santa Cruz: em busca de um futuro legal”.

RLStazRio

Quem comparecer ao lançamento ganhará um exemplar da edição. A brasileira “Resistências no país do futebol”edição alemã Fussball in Brasilien: Widerstand und Utopie, que deu origem à publicação lançada e já tem 2ª edição na Alemanha, também estará à venda.

SOBRE A OBRA

“O futebol é uma caixinha de surpresas, eis uma das tantas expressões em torno do esporte popular. De fato, quem teria imaginado? O Brasil, supostamente tão entusiasmado com o futebol, não está simplesmente feliz e agradecido por poder realizar a Copa de 2014. Não: durante as jornadas de junho de 2013, milhões de brasileir@s foram às ruas durante a Copa das Confederações. Não só por causa do futebol, mas também por causa dele. Pouco antes do pontapé inicial em Itaquera, a maioria da população acredita que o megaevento possa ter mais consequências negativas do que positivas para o Brasil. O sentimento geral é mais de reserva do que de entusiasmo, e no mundo inteiro surge a pergunta: o que acontece no país do futebol?”

A partir desta indagação, a Fundação Rosa Luxemburgo organizou o livro “Resistências no País do Futebol – A Copa em contexto”. A obra traz uma série de artigos e entrevistas sobre o contexto internacional e nacional em que a Copa de 2014 se insere. O time escalado para escrever esse livre é composto por autores e autoras como: Eduardo Galeano, Juca Kfouri, Luiz Ruffato, Raquel Rolnik, Thomas Fatheuer entre outros.

O primeiro lançamento no Brasil foi realizado na sede da Fundação Rosa Luxemburgo no início de junho com a presença da urbanista Raquel Rolnik.

3 de julho de 2014 – 5ª feira, 18:00, antes da inauguração da exposição “Baía de Sepetiba e Santa Cruz: em busca de um futuro legal”,
Centro de Teatro do Oprimido, Av. Mem de Sá, 31 – Lapa – Rio de Janeiro
Entrada franca

Resistências no país do futebol – A Copa em contexto (índice)
Fundação Rosa Luxemburgo
São Paulo, 2014
116 p.

 

A EXPOSIÇÃO

Baía de Sepetiba, polo industrial altamente poluente, com portos e um modelo de desenvolvimento que não servem a sua gente. Localizada na zona oeste do Rio de Janeiro, a região vem ao longo dos anos sofrendo com a degradação do meio ambiente e gerando graves problemas de saúde aos moradores do lugar, que cultivam a esperança de uma vida digna e lutam bravamente para transformar essa realidade. Histórias retratadas na exposição “Baía de Sepetiba e Santa Cruz: em busca de um futuro legal”, com lançamento marcado para a próxima quinta-feira, 3 de julho, às 18h no Centro de Teatro do Oprimido (CTO), na Lapa.

A iniciativa, do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS) e com apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, apresenta sete painéis do fotógrafo e midiativista André Mantelli. Retratos que revelam os rostos daqueles incansáveis lutadores e lutadoras que sonham com um território feito para seu povo. “A Baía de Sepetiba é um bem natural. Queremos chamar atenção para um pedaço de riqueza do Rio de Janeiro que está sendo destruído. Como bem falou o fotógrafo de nossa exposição, a cidade maravilhosa não é maravilhosa sem suas maravilhas”, afirma Karina Kato, técnica do PACS.

Localizada no bairro de Santa Cruz, a Baía de Sepetiba vem historicamente sofrendo com a degradação de seu ecossistema. Na década de 1980, além da instalação do Porto do Itaguaí, a região foi afetada pelo vazamento de metais pesados da Companhia Ingá Mercantil, contribuindo para uma inversão forçada de sua vocação pesqueira, agrícola e turística.

Problemas acentuados com a instalação da ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) em 2007, empresa alemã responsável sozinha pelo aumento de 76% da emissão de gases de efeito estufa na cidade do Rio de Janeiro. Sem licença ambiental desde 2010, atualmente o funcionamento da siderúgica é garantido por meio de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) assinado junto a órgãos ambientais do estado.

Em cartaz de 03 a 11 de julho no CTO, a exposição mostra esse pedaço do Rio de Janeiro esquecido pelo poder público e vítima da ação de um modelo desenvolvimentista que desrespeita moradores e meio ambiente. O trabalho fotográfico seguirá depois de forma itinerante pelo estado.