MEGAPROJETOS NO RIO

Baía de Sepetiba: a síntese do modelo predatório de desenvolvimento

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Via Pacs

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A publicação “Baía de Sepetiba: fronteira do desenvolvimento e os limites para a construção de alternativas”, mais recente pesquisa lançada pelo Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), apresenta os megaprojetos na região de Sepetiba e seus efeitos negativos na população local como uma síntese do modelo atual de desenvolvimento em curso no Brasil.

A pesquisa detalha o histórico dos megaprojetos em curso – grandes indústrias de Santa Cruz, Porto de Itaguaí e Porto Sudeste – e previstos para a região da Baía de Sepetiba, na Zona Oeste do Rio. Entre os atividades de forte impacto previstas a curto e médio prezo estão a exploração do Pré-Sal e o estaleiro onde serão construídos cinco submarinos nucleares para a defesa da extração de petróleo em alto mar e da “Amazônia Azul”, como é chamado o território marítimo brasileiro. A publicação inova ao relacionar tais projetos com uma reflexão crítica sobre o modelo de desenvolvimento predatório que vem sendo implantado na região.

Karina Kato, pesquisadora do Pacs, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e uma das autoras da pesquisa, lembra que a Baía de Sepetiba é uma região rica e com “populações tradicionais atropeladas” por esses projetos, iniciados ainda em 1964, quando a primeira indústria se instalou na região. “Os complexos industriais vêm acompanhados de desastres ambientais”, alerta Karina.

Além dos riscos de acidentes, Karina cita a formação de zonas de exclusão de pesca com a exploração do Pré-Sal. “Onde ficam os pescadores que moram lá? Qual o espaço para essas alternativas?”, questiona.

Camila Moreno, doutoranda em sociologia pela UFRJ e também autora da publicação, cita que num raio de 500 km da Baía de Sepetiba se concentram 60% do PIB brasileiro. Ela aponta os riscos da militarização, via tecnologia nuclear, com a construção dos submarinos. “É preciso trazer para o debate o que está em jogo nesse projeto e nesse imaginário de militarização”, avalia ela. Nesse sentido, a pesquisadora também cita o pedido feito a ONU pelo Brasil para expandir sua fronteira oceânica para proteger a exploração em alto mar.

O pescador Ivo Soares cita a riqueza de peixes que havia na Baía antes da chegada das indústrias e compara com o atual momento de assoreamento do fundo da Baía. “A Justiça foi omissa, conivente, para não dizer suja, com a gente. A TKCSA foi a pior coisa que nos aconteceu”, aponta ele referindo-se à siderúrgica localizada em Santa Cruz.

Saiba Mais

A pesquisa revela que o território da Baía de Sepetiba vem se sendo submetido à lógica do processo de industrialização deste território, intensificado há dez anos a partir da instalação de projetos industriais e portuários/logísticos, em especial da TKCSA. Deixando de fora a opinião da população local, tais projetos foram justificados pelas promessas de desenvolvimento construídas em torno da conquista e exploração da Amazônia Azul brasileira.

Uma das principais perguntas lançadas pela pesquisa, portanto, é saber se será possível compatibilizar os projetos de vida da população local com os planos previstos para a região e a magnitude dos impactos sociais e ambientais negativos que indústrias, portos e exploração do pré-sal produzem para a região. Como pode avançar o debate sobre “alternativas” se, de antemão, e à margem do amplo debate público, estes projetos aparecem como imposição de um fato consumado e como a única alternativa viável?

Leia a publicação completa aqui:

http://issuu.com/franribeiro/docs/ba__a_de_sepetiba_-_fronteira_do_de

Baixe o PDF aqui:

http://www.pacs.org.br/files/2012/12/Ba%C3%ADa-de-Sepetiba-fronteira-do-desenvolvimentismo.pdf

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